quarta-feira, 5 de março de 2008

Depois de uma longa ausência...


Estas são as minhas primeiras palavras, depois de um mês de ausência. Desculpem não ter dito nada entretanto, mas depois de lerem este post, tenho a certeza de que compreenderão. De qualquer forma, tenham bem presente de que não me esqueci de ninguem e que mesmo distante tenho-vos no meu coraçãozito sempre. :)
Confesso que senti falta de vos escrever e contar como têm sido os meus dias, cheios de emoção em todos os sentidos.


A minha chegada a Genova foi a 8 de Fevereiro, mas só no dia 21 eu e a Tânia conseguimos encontrar um quarto, com duas camas. Parece mentira que numa cidade tão grande e com tantas casas vazias seja tão dificil de encontrar um simples quarto com duas camas (uma “doppia” como dizem os italianos). Ao inicio queriamos encontrar dois quartos na mesma casa, para que cada uma pudesse ter o seu espaço, mas devido à escassez tal não foi possivel e depois a Tânia é uma boa amiga. Estou feliz :).


Os genoveses são “tirchi” e “tacagni”, ou seja, em bom português “agarrados ao dinheiro”, lol, por coincidências estas foram as primeiras palavras que a prof de italiano nos ensinou, depois de nos dizes quais eram os alimentos tipicos: “la focaccia e il pesto”.
Nesta busca incessante por um cantinho onde pudessemos passar 5 meses, todos os dias eu e a Tânia nos levantavamos às 7h/7h30, dependendo de quantas casas tinhamos para ver ou o nivel de desespero, tomávamos o pequeno-almoço, que na verdade até tenho saudades (o belo do café com leite e o pãozinho com manteiga e doce), talvez porque marcava os primeiros minutos de esperança de mais uma jornada, visto que acordávamos sempre com a esperança que no dia seguinte é que era o grande dia, o dia em que iamos encontrar o “nosso castelo”. Esta fase, apesar de tudo, foi muito boa, porque podemos disfrutar da cidade e porque encontramos um grupo de mexicanos muito simpáticos (2 mexicanas e 2 mexicanos), que estavam na mesma situação de nós, mas um pouco mais desesperados, apesar da tranquilidade que transpareciam.


Permaneciam há mais 2 semanas que nós no “ostello per la gioventú”, porque também não encontravam casa. Na verdade, hoje falamos e já sentimos falta do “nosso” ostello que por varios dias foi a nossa casa. Como partilhávamos a mesma “dor”, juntamo-nos na busca da casa “escondida”, onde pudessemos estar todos. No entanto, todos os dias regressavamos ao nosso querido ostalle sem sequer um contacto para o dia seguinte, porque entretanto já se tinham esgotado todas as hipóteses e todos os jornais de anuncios. Restava-nos ir ao supermercado, ao famoso “coop”, uma especie de cooperativa nacional, onde se encontram alimentos nacionais e a baixo custo, para jantarmos de uma forma mais economica. A verdade é que eles foram uma boa companhia e continuamos a partilhar grandes gargalhadas, mesmo estando em casas diferentes.

Ups... já me adiantei... bem, continuando... Tudo mudou quando um dia o meu instinto disse-me que deveriamos passar pelo SASS (departamento de acolhimentos aos erasmus) para ver se eles tinham já alguma casa disponivel. Assim que cheguei, disseram-nos imediatamente que as casas só ficaram disponiveis para o final do mês (e nós estavamos a 20 de Fev)... lá se foi a esperança de novo. De repente ouve-se “drrrinng drrinng”, era o telefone e do outro lado falava o senhorio de uma casa, dizendo que tinha livre uma “camera doppia”. “Fez-se luz”, pensamos.
A senhora do SASS, a famosa Moretto, que diz as coisas de uma forma muito rispida, mas é uma querida para ajudar. Já lhe prometi um vinho do porto, porque foi incansável connosco.
Continuando... fomos ver a casa, às 18h e às 20h30 já lá estavamos com malas e bagagens. Parece uma casa de bonecas, não é muito grande, mas temos um quarto espaçoso. Enfim... só vos quero dizer que eu e a Tania traziamos já uma casa às costas e que a situação foi no minimo comica. Imaginem-nos nos autocarros “apilhados de gente” com 4 malas cada uma, no minimo foi cómico, e desperta-nos o sentido “cavalheiresco” dos italianos.
No dia seguinte, recebi uma sms dos nossos amigos mexicanos que também tinham encontrado uma casa, numa zona perto da nossa.


Entretanto, nos ultimos dias no ostalle ficou connosco no mesmo quarto uma rapariga lituana, também erasmus, chamada Leilla. Ficou tão ligada a nós que procurou incessantemente uma casa para ficarms as 3, mas tal não aconteceu, só mesmo por milagre. Quando a Leilla soube que eu e a Tania tinhamos arranjado casa, finalmente, recebeu a notícia com uma lágrima e um sorriso. Esta ambivalência de sentimentos fe-la abraçar-nos e chorar, dizendo “I love you”. Foi comovente, mas a verdade é que acabamos a noite a fazer uma mini festa, cujo menú foi 2 pizzas quatro estações e icetea, trazidas a casa pelo “rapaz das pizzas”. Adivinhem quanto pagámos por 2 pizzas enormes?... 7 Euros. Aqui as pizzas são muito baratas e grandes.
Nas ruas vamos passeando e o cheiro das pastelarias e das padarias aromatiza o espaço e faz o convite simpático para entrarmos, já para não falar das vitrines cheias de doces ( e calorias), e disfrutarmos de uma bela pizza quentinha ou um “brioche” (bolo), acompanhado de um cremoso capuccino.
Humm... que bom!! Só de escrever fico com a água na boca! Acreditem, é uma perdição!! Depois quando me visitarem, virão!! Tenho receio que os meus 45 kilinhos se tranformem em obesos quilos, cheios de mozarella e de capuccinos recheados de nata e leite creme.
Bem... é melhor ficar por aqui, senão paro de escrever e vou perder-me na pastelaria que está a poucos passos de casa.
Como já devem imaginar, nesta fase foi muito importante pensar em vocês, ter o coraçãozinho quente por ter uma família que me deu sempre todo o apoio e ter o melhor namorado do mundo. Um OBRIGADO ENORME!!
Beijos cheios de saudades,
A presto!!


Ana
P.s. Entretanto, quero escrever-vos sobre a minha viagem a Berlim e Hamburgo.

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